Este blog está em processo de renascimento.
Eu sou feminista, e quero falar sobre isso. Eu quero compartilhar o que chega desse conhecimento até mim. Eu passei por uma longa fase de reestruturação. Assumo uma nova postura em relação à minha religião, de fato, pretendo falar mais sobre isso.
A partir de hoje, este blog recebe convidadxs para escrever e debater.
O Conhecimento Subterrâneo se diversificará mais. Afinal, embaixo da terra são muitos os caminhos
As poesias, continuarão.
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*My little Phoenix é uma música belíssima da, tão bela quanto, Tarja Turunen. Vale a pena conferir.
Arte Obscura. Ciência Obscura. O não-dito. O maldito. O saber subterrâneo. O conhecimento eterno.
6 de setembro de 2012
VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera
Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
.............................................................................
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
......................................................................
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.....................................................................
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/guardador.htm
Em um download perdido no tempo, embora seja oriundo do site: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp
20 de março de 2012
PERTO, AO REDOR E DENTRO
Saudações à loucura que me espreita,
Ao abismo que se abre para mim,
Aos ventos que me açoitam,
À tristeza, essa emoção que me envolve e sufoca,
Saudações especiais àqueles que sabem que eu morri...
A cada passo dado mais incertas se tornam,
A realidade que me cerca,
A terra em que pareço pisar;
E enquanto meu mundo se fragmenta
Minha vida se ancora nas profundezas
Mais escusas da terra em que caminho...
Será o abismo que me aquecerá?
Será a ventania que me abraçará?
Será a loucura a me espreitar?
Vida minha que se vai
Morte essa que não chega
Transmutação que não se dá.
Ao saudar o que há de pior em mim
Entrevejo os raios de luz no Universo
Mas minha iluminação é lunar;
É receptiva, filtrada, intuitiva.
É a Luz do Inferno...
É a Luz das Trevas...
Meu cantar é lúgubre, desacorçoado;
Meu viver é morrer, transmutar...
Eu me levanto em meio as ondas
Elevo-me aos céus perto das nuvens
E meu olhar é de rapina...
Caça em minh'alma os vermes;
E destruídos, eles param de me corroer...
Sinto dor, sinto frio, pressinto a perdição...
A deriva no céu ou no mar,
A disposição da Noite e da Lua.
A deriva em minhas emoções...
Desço ao fundo do abismo
Mergulho em águas escuras, abissais
O que me inunda e afoga
É capaz de cegar qualquer alma.
Mas é essa capacidade que me entrega
A minha Liberdade, o meu prêmio
Eu me conheço, e ao fazer isso,
Conheço o mundo, profundamente.
Os cantos sombrios, os saberes obscuros,
O licor dolorido de meu sangue,
A loucura plena de minha razão...
Amar a Noite, a Lua,
Ser parte das Trevas,
Que são afinal, aquilo que de nós
Está perto, ao redor e dentro.
Curitiba, 19 de março de 2012
Wyllelmynah Drakul
2 de fevereiro de 2012
VIOLÕES QUE CHORAM
CRUZ E SOUSA
(jan. I897)
Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.
Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites da solidão, noites remotas
Que nos azuis da Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.
Sutis palpitações a luz da lua,
Anseio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.
Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.
Harmonias que pungem, que laceram,
Dedos Nervosos e ágeis que percorrem
Cordas e um mundo de dolências geram,
Gemidos, prantos, que no espaço morrem...
E sons soturnos, suspiradas magoas,
Mágoas amargas e melancolias,
No sussurro monótono das águas,
Noturnamente, entre ramagens frias.
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.
Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas do sonho
Almas que se abismaram no mistério.
Sons perdidos, nostálgicos, secretos,
Finas, diluídas, vaporosas brumas,
Longo desolamento dos inquietos
Navios a vagar a flor de espumas.
Oh! languidez, languidez infinita,
Nebulosas de sons e de queixumes,
Vibrado coração de ânsia esquisita
E de gritos felinos de ciúmes!
Que encantos acres nos vadios rotos
Quando em toscos violões, por lentas horas,
Vibram, com a graça virgem dos garotos,
Um concerto de lágrimas sonoras!
Quando uma voz, em trêmolos, incerta,
Palpitando no espaço, ondula, ondeia,
E o canto sobe para a flor deserta
Soturna e singular da lua cheia.
Quando as estrelas mágicas florescem,
E no silêncio astral da Imensidade
Por lagos encantados adormecem
As pálidas ninféias da Saudade!
Como me embala toda essa pungência,
Essas lacerações como me embalam,
Como abrem asas brancas de clemência
As harmonias dos Violões que falam!
Que graça ideal, amargamente triste,
Nos lânguidos bordões plangendo passa...
Quanta melancolia de anjo existe
Nas visões melodiosas dessa graça.
Que céu, que inferno, que profundo inferno,
Que ouros, que azuis, que lágrimas, que risos,
Quanto magoado sentimento eterno
Nesses ritmos trêmulos e indecisos...
Que anelos sexuais de monjas belas
Nas ciliciadas carnes tentadoras,
Vagando no recôndito das celas,
Por entre as ânsias dilaceradoras...
Quanta plebéia castidade obscura
Vegetando e morrendo sobre a lama,
Proliferando sobre a lama impura,
Como em perpétuos turbilhões de chama.
Que procissão sinistra de caveiras,
De espectros, pelas sombras mortas, mudas.
Que montanhas de dor, que cordilheiras
De agonias aspérrimas e agudas.
Véus neblinosos, longos véus de viúvas
Enclausuradas nos ferais desterros
Errando aos sóis, aos vendavais e às chuvas,
Sob abóbadas lúgubres de enterros;
Velhinhas quedas e velhinhos quedos
Cegas, cegos, velhinhas e velhinhos
Sepulcros vivos de senis segredos,
Eternamente a caminhar sozinhos;
E na expressão de quem se vai sorrindo,
Com as mãos bem juntas e com os pés bem juntos
E um lenço preto o queixo comprimindo,
Passam todos os lívidos defuntos...
E como que há histéricos espasmos
na mão que esses violões agita, largos...
E o som sombrio é feito de sarcasmos
E de Sonambulismos e letargos.
Fantasmas de galés de anos profundos
Na prisão celular atormentados,
Sentindo nos violões os velhos mundos
Da lembrança fiel de áureos passados
Meigos perfis de tísicos dolentes
Que eu vi dentre os vilões errar gemendo,
Prostituídos de outrora, nas serpentes
Dos vícios infernais desfalecendo;
Tipos intonsos, esgrouviados, tortos,
Das luas tardas sob o beijo níveo,
Para os enterros dos seus sonhos mortos
Nas queixas dos violões buscando alivio;
Corpos frágeis, quebrados, doloridos,
Frouxos, dormentes, adormidos, langues
Na degenerescência dos vencidos
De toda a geração, todos os sangues;
Marinheiros que o mar tornou mais fortes,
Como que feitos de um poder extremo
Para vencer a convulsão das mortes,
Dos temporais o temporal supremo;
Veteranos de todas as campanhas,
Enrugados por fundas cicatrizes,
Procuram nos violões horas estranhas,
Vagos aromas, cândidos, felizes.
Ébrios antigos, vagabundos velhos,
Torvos despojos da miséria humana,
Têm nos violões secretos Evangelhos,
Toda a Bíblia fatal da dor insana.
Enxovalhados, tábidos palhaços
De carapuças, máscaras e gestos
Lentos e lassos, lúbricos, devassos,
Lembrando a florescência dos incestos;
Todas as ironias suspirantes
Que ondulam no ridículo das vidas,
Caricaturas tétricas e errantes
Dos malditos, dos réus, dos suicidas;
Toda essa labiríntica nevrose
Das virgens nos românticos enleios;
Os ocasos do Amor, toda a clorose
Que ocultamente lhes lacera os seios;
Toda a mórbida música plebéia
De requebros de faunos e ondas lascivas;
A langue, mole e morna melopéia
Das valsas alanceadas, convulsivas;
Tudo isso, num grotesco desconforme,
Em ais de dor, em contorsões de açoites,
Revive nos violões, acorda e dorme
Através do luar das meias noites!
Acesso: 02/02/2012 às 14:45
CÁRCERE DAS ALMAS
CRUZ E SOUZA
Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!
Acesso: 02/02/2012 às 14:30 hs.
31 de janeiro de 2012
A CENA
Todos os pedaços em redor...
A grande poça ao centro...
O ruflar de asas acima...
Tudo isso compunha a cena.
Tudo isso nos pertencia
Do início ao fim;
Havíamos nos divertido.
Do fim ao início;
Havíamos sido os responsáveis.
Agora resta a árdua tarefa
De enterrar os corpos
Mas mesmo isso pode melhorar
Já inventaram o fogo, afinal.
Aperfeiçoemos seu uso então...
Todos os pedaços em redor...
A grande poça ao centro...
O ruflar de asas acima...
O odor e a luz da fogueira
Suavemente se espalhando,
Impregnando ações e palavras.
Tudo isso nos pertencia.
O entrelace orgíaco
De nosso sangue.
Os ruídos cálidos
As peles ásperas...
Uma noite eterna
Um banquete pleno
Para a alma e os sentidos.
Uma canção pura e clara.
Uma sinfonia sem instrumentos...
O crepitar das chamas
É trilha para teus dentes,
Ao mesmo tempo em que
Tua pele se dilacera para mim.
Não há porque sentir as pedras;
Abaixo de nós, perfurando-nos
Não sentir nada, nada,
Além de nossos corpos em sincronia.
O abraço mortal, destruidor
Que nos devolve a vida;
É que nos dá o sentido
De nossa existência...
O Sangue que é Vida,
Luz e razão máxima,
De estarmos enraizados
Nesta Noite Eterna
Cheia de sensações e sentimentos
Viveremos para sempre...
Assim como as Estrelas.
Pois o Sangue corre até nós,
Assim como os Rios para o Mar.
Curitiba, 30 de janeiro de 2012.
Wyllelmynah Drakul
28 de janeiro de 2012
PRAIA DAS ALMAS
Meu destino é:
Sufocar o ódio,
Dominar a repulsa,
Que sinto...
E controlar o vômito que habita em mim.
A minha vida é
Tudo que eu desejo esquecer.
Nas "ondas" deste
Ódio
Brotou uma planta...
Era bela,
A erva de raiva
E para cultivá-la
É preciso tempo.
- Vida, és de
Toda e qualquer forma,
Tudo o que eu desejo
E preciso esquecer... -
E então eis que
Anoiteceu.
Neste céu, nesta noite,
Não existem nuvens,
Não existe Lua
Não existem Estrelas.
Neste céu
Não existe nada.
E por este motivo,
Para que este céu
Tenha ao menos
Uma Estrela
Ainda que triste,
Ainda que apagada..
Eu ando pela praia,
Rumo ao mar,
Princesa Prateada
Na Noite Negra.
E mesmo longe
Da guerra,
Não tenho paz...
A água está fria
Mas é bela, doce,
Pura e cristalina.
A água está...
Amorosamente bela...
Ela leva meu corpo;
E seu abraço aquece minh'alma.
Aqui não existe dor!...
Aqui é o Reino que
Antecede ao dos
Espíritos...
É o Reino em que
Eu ficarei...
Enquanto houverem
Estrelas, estarei aqui...
Provavelmente sozinha
E agora nem as
Ervas de raiva
Existem mais.
Estou completamente só
Meu corpo flutua
E minh'alma
Paira acima dele.
Apesar da chuva
O Mar está calmo
As águas em certo ponto
Estão vermelhas...
Existe sangue ali...
E então, eis que amanheceu
Um céu azul e belo,
Saúda uma sol
De pura energia.
Antes não havia
Nada disso.
A brisa bate em meu rosto,
Agita meus cabelos...
Meu corpo é
Tão quente.
Meu destino,
Não é morrer,
Não assim, não agora!
Meu destino é assustar
Aos que me temem,
É prender os livres
Revelar aos descrentes
Que a perda
É o maior e o pior Inferno
É tornar Pedra,
Quem me afronta.
Eu não sou a
Mesma de antes.
Agora, eu tenho
Meu Lar...
Meu amor...
E a minha vida
Foi enterrada.
Eu não poderia ser um anjo...
Mas também,
Não sou o que dizem.
Sou apenas
Uma Guardiã.
A Guardiã do Reino
Da Praia das Almas.
Viverei aqui
Enquanto houverem
Estrelas nascendo.
E já não estarei sozinha...
Pois mesmo
Contra certos Deuses
Voltou para mim
O Senhor destas terras.
Aquele que também é,
O Senhor de minha existência.
Eu sei que também sou
Senhora de sua existência
E que nada nos separará.
Afinal, não podemos
Nos afastar daqui.
Aportou hoje em sua
Caravela Negra,
Um Homem
Sem semelhanças
Com o Mundo.
Um ser muito especial
Somos forças complementares..
Houve um tempo,
Em que éramos apenas vivos...
Mas, Hoje somos,
Morte e Renascimento.
Rio de Janeiro, 29 de junho de 2004. Wyllelmynah Drakul
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