Saudações à loucura que me espreita,
Ao abismo que se abre para mim,
Aos ventos que me açoitam,
À tristeza, essa emoção que me envolve e sufoca,
Saudações especiais àqueles que sabem que eu morri...
A cada passo dado mais incertas se tornam,
A realidade que me cerca,
A terra em que pareço pisar;
E enquanto meu mundo se fragmenta
Minha vida se ancora nas profundezas
Mais escusas da terra em que caminho...
Será o abismo que me aquecerá?
Será a ventania que me abraçará?
Será a loucura a me espreitar?
Vida minha que se vai
Morte essa que não chega
Transmutação que não se dá.
Ao saudar o que há de pior em mim
Entrevejo os raios de luz no Universo
Mas minha iluminação é lunar;
É receptiva, filtrada, intuitiva.
É a Luz do Inferno...
É a Luz das Trevas...
Meu cantar é lúgubre, desacorçoado;
Meu viver é morrer, transmutar...
Eu me levanto em meio as ondas
Elevo-me aos céus perto das nuvens
E meu olhar é de rapina...
Caça em minh'alma os vermes;
E destruídos, eles param de me corroer...
Sinto dor, sinto frio, pressinto a perdição...
A deriva no céu ou no mar,
A disposição da Noite e da Lua.
A deriva em minhas emoções...
Desço ao fundo do abismo
Mergulho em águas escuras, abissais
O que me inunda e afoga
É capaz de cegar qualquer alma.
Mas é essa capacidade que me entrega
A minha Liberdade, o meu prêmio
Eu me conheço, e ao fazer isso,
Conheço o mundo, profundamente.
Os cantos sombrios, os saberes obscuros,
O licor dolorido de meu sangue,
A loucura plena de minha razão...
Amar a Noite, a Lua,
Ser parte das Trevas,
Que são afinal, aquilo que de nós
Está perto, ao redor e dentro.
Curitiba, 19 de março de 2012
Wyllelmynah Drakul
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