31 de janeiro de 2012

A CENA


Todos os pedaços em redor...
A grande poça ao centro...
O ruflar de asas acima...
Tudo isso compunha a cena.

Tudo isso nos pertencia
Do início ao fim;
Havíamos nos divertido.
Do fim ao início;
Havíamos sido os responsáveis.

Agora resta a árdua tarefa
De enterrar os corpos
Mas mesmo isso pode melhorar
Já inventaram o fogo, afinal.
Aperfeiçoemos seu uso então...

Todos os pedaços em redor...
A grande poça ao centro...
O ruflar de asas acima...
O odor e a luz da fogueira
Suavemente se espalhando,
Impregnando ações e palavras.
Tudo isso nos pertencia.

O entrelace orgíaco
De nosso sangue.
Os ruídos cálidos
As peles ásperas...

Uma noite eterna
Um banquete pleno
Para a alma e os sentidos.
Uma canção pura e clara.
Uma sinfonia sem instrumentos...

O crepitar das chamas
É trilha para teus dentes,
Ao mesmo tempo em que
Tua pele se dilacera para mim.

Não há porque sentir as pedras;
Abaixo de nós, perfurando-nos
Não sentir nada, nada,
Além de nossos corpos em sincronia.

O abraço mortal, destruidor
Que nos devolve a vida;
É que nos dá o sentido
De nossa existência...

O Sangue que é Vida,
Luz e razão máxima,
De estarmos enraizados
Nesta Noite Eterna
Cheia de sensações e sentimentos

Viveremos para sempre...
Assim como as Estrelas.
Pois o Sangue corre até nós,
Assim como os Rios para o Mar.

Curitiba, 30 de janeiro de 2012.
Wyllelmynah Drakul

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