O que há de dor
É o que há de sentir-se
Para sempre e muito.
Porque é imensurável,
Porque é imortal.
Porque não pára o mundo,
Mas pára quem a sente.
O que há de dor,
Há de triste solidão.
Pois eis que são desertas as noites,
Pois eis que são vazios os dias.
..................................................
Ah, estas linhas...
Elas são escritas a sangue.
Letras trêmulas e escarlates
Palavras e frases etéreas.
Espancaste-me hoje
E eu não gritei.
Não havia dor em mim.
Mas, um sorriso infantil,
Fraterno e doce,
Era o que me alegrava...
Se era o teu, não, não era.
Jamais poderia sê-lo.
Tu não sabes sorrir.
A ternura necessária
Para os lábios curvar;
Tu não a conheces.
Tua hombridade não te permite
Conhecê-la, vivenciá-la.
Espancaste-me hoje,
E eu descobri, finalmente,
Porque se diz que a dor,
É antes, da mente, da alma,
E não do corpo apenas.
Espancaste-me hoje,
Exatamente porquê?
O que eu te fiz?
O que eu não te fiz?
Esta raiva, este ódio,
De onde vêm? O que os origina?
O que há de dor em mim,
Levar-me-á ao abraço da morte.
Ela promete um amor infinito.
Um doce descanso, e justiça.
Não matarás outra.
Tua miserável vida acabará,
Em uma imagem exata do que não tens.
Quebre pois meu ossos,
Arrebente meus músculos.
Parando meu coração,
Minh'alma se elevará em um sorriso.
Consola-me saber que este barulho
Este sangue e estas marcas
Hão de condenar-te.
Na justiça humana,
Ou dentro de tua mente...
Apodrecerás em degradação inexorável.
Curitiba, 16 de maio de 2013.
Wyllelmynah Drakul.