Todos os pedaços em redor...
A grande poça ao centro...
O ruflar de asas acima...
Tudo isso compunha a cena.
Tudo isso nos pertencia
Do início ao fim;
Havíamos nos divertido.
Do fim ao início;
Havíamos sido os responsáveis.
Agora resta a árdua tarefa
De enterrar os corpos
Mas mesmo isso pode melhorar
Já inventaram o fogo, afinal.
Aperfeiçoemos seu uso então...
Todos os pedaços em redor...
A grande poça ao centro...
O ruflar de asas acima...
O odor e a luz da fogueira
Suavemente se espalhando,
Impregnando ações e palavras.
Tudo isso nos pertencia.
O entrelace orgíaco
De nosso sangue.
Os ruídos cálidos
As peles ásperas...
Uma noite eterna
Um banquete pleno
Para a alma e os sentidos.
Uma canção pura e clara.
Uma sinfonia sem instrumentos...
O crepitar das chamas
É trilha para teus dentes,
Ao mesmo tempo em que
Tua pele se dilacera para mim.
Não há porque sentir as pedras;
Abaixo de nós, perfurando-nos
Não sentir nada, nada,
Além de nossos corpos em sincronia.
O abraço mortal, destruidor
Que nos devolve a vida;
É que nos dá o sentido
De nossa existência...
O Sangue que é Vida,
Luz e razão máxima,
De estarmos enraizados
Nesta Noite Eterna
Cheia de sensações e sentimentos
Viveremos para sempre...
Assim como as Estrelas.
Pois o Sangue corre até nós,
Assim como os Rios para o Mar.
Curitiba, 30 de janeiro de 2012.
Wyllelmynah Drakul