15 de junho de 2013

O TEMPO E O LUGAR

Em que tempo e
Em que lugar,
Se permite, se aceita
Que todos os sonhos se evaporem?

Em que tempo e como

Se pode permitir que
As vidas sejam dilaceradas
Em escala industrial?

Em que lugar se permite

Que a própria juventude
Seja violentada, aviltada
De forma tal que nos impeça
De sentir e ver o que poderíamos ser?
Duma forma que nos faça
Esquecer nossos horizontes...

Em que tempo e em que lugar...


A vida segue, persegue

Arrebata, arrebenta;
Briga, brinca...
A vida é um rio,
Placidamente caudaloso

A vida continua,

Sem agarrar-se
A um lugar, a um tempo
Pois é infinita, ínfima.

Independentemente dos atores,

Mas sem imparcialidades ideais,
O cenário e o roteiro deste épico
São, sempre, semelhantes...
        Sempre...
Sofrem, de fato, alterações
Mínimas, adaptativas, para que
Encenemos uma velha peça;
Muda mesmo quando há falas...
De beleza e melancolia
Inquebrantáveis...

Como e em que tempo

E onde estamos parados?

Se tudo esquecemos,

Então, de que forma
Conseguiremos lembrar?

Afinal como se tortura alguém

Até que esse alguém esqueça
Sua identidade, sua essência?

Como fazer, realizar algo

Estando de pés e mãos e línguas
Atados, cortados, impossibilitados?

Como se aceita e outorga

O Poder e a Autoridade
Para que se violente, se aniquile
Sonhos, amores, vidas, ideais,
Famílias, indivíduos, realidades?

Como reparar todo e 

Tamanho mal?
Como mensurar e abranger o
Absolutamente intangível?

Qual é o preço disso tudo?

Se vamos pagá-lo, se vamos
De fato, honrar a dívida;
Haverá juros, taxas?

Ou será que abandonaremos

Tal situação irresponsavelmente?
Antes que ela nos intoxique,
Saberemos um antídoto?

O que destruir e de nós retirar

Para que tão somente se respire
Alguma coisa boa, feliz, limpa?

Há uma fumaça tóxica

Contaminando o fogo,
Imiscuindo-se na água,
Levando a terra embora,
Asfixiando o próprio ar.

Em que tempo e

Em que lugar,
Como se pode sobreviver?

Não apenas contra a loucura fixa

Dos mais claros dias de sol;
Ou contra o pavor necessário
Das graciosas noites frescas.
Não só contra o calor da água;
Ou contra a frialdade do fogo.
Não apenas contra a apatia
Dos tão tresloucados nossos meses;
Ou contra a temperança
Dos anos intensamente dúbios...

Mas sim, contra tudo isso junto,

Batido, escaldado, misturado...
Impingido a nós com crueldade
A esta vida já morta,
Como é que se pode sobreviver?

Especialmente se nosso tempo

Não mudou e nosso lugar estagnou,
Se estamos nus no escuro
O que fazer?


Wyllelmynah Drakul

Curitiba, 26 de maio de 2011.